
Capa do CD com ilustração de Alexei Solha.

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A MÚSICA INSTRUMENTAL DE ELI-ERI MOURA
O Programa Petrobras Cultural propicia, ao patrocinar este CD, a divulgação da música instrumental de um dos compositores mais atuantes do Nordeste brasileiro. Eli-Eri Moura tem-se dedicado intensamente tanto à música contemporânea de concerto, como compositor e pesquisador, quanto à música incidental, em trilhas sonoras para teatro, cinema e vídeo. Como professor da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, fundou no âmbito desta, em 2003, o Laboratório de Composição Musical - COMPOMUS e liderou a implantação da área de composição nos níveis de extensão, graduação e pós-graduação, promovendo a formação de um grande número de jovens compositores na Região. Em seu desenvolvimento como compositor, Eli-Eri foi orientado no Brasil por José Alberto Kaplan e por Mário Ficarelli; no Canadá, estudou com Alcides Lanza, John Rea e Brian Cherney, na McGill University, onde obteve os títulos de Mestre e de Doutor em Composição. Este CD é panorâmico de sua produção, pois, além de quatro peças recentes, inclui uma de 1999 e outra de 1984. Ademais, as peças revelam o quão abrangente é seu domínio da linguagem musical. Na peça mais antiga, Variações (1984), encontramos um compositor à vontade ao usar o sistema tonal, em relances politonais e jazzísticos, ao passo que, nas peças Circumsonantis (1999), Nocturnales II (2009), Multiversos I (2009) e Nouer III (2008), temos o autor envolvido com seus sistemas composicionais particulares, os quais, transcendendo qualquer discussão em termos de tonal - não-tonal - atonal, refletem a aplicação de um variado leque de ideias, materiais, técnicas e procedimentos próprios. Eli-Eri, no entanto, não se intimida ao trazer novamente o tonalismo (comum em suas trilhas sonoras) para a sala de concerto, desde que sirva à ideia por trás da música. Como ele diz: “Em minha música, quando não são uma coisa só, a linguagem geralmente está a serviço da ideia.” Um exemplo dessa abordagem é a peça Recordabilis Bach (2009), na qual faz uma homenagem a um de seus compositores favoritos. Tal homenagem é reveladora do traço que, independentemente da linguagem ou do frame harmônico, notabiliza a obra de Eli-Eri em geral: seu apego ao contraponto e à polifonia. Se, em Recordabilis Bach, o trabalho contrapontístico é apropriadamente linear e unidimensional, em outras peças a polifonia assume um caráter multidimensional, permitindo leituras múltiplas e superpostas.
A primeira música do CD, Circumsonantis, para quarteto de cordas, apresenta várias camadas polifônicas em sua estrutura. Num plano interno, há o intricado contraponto entre as linhas individuais dos quatro instrumentos. Combinações dessas linhas formam feixes tímbrico-texturais que se relacionam entre si de diversas maneiras, gerando, talvez, para o ouvinte os agentes mais evidentes do discurso musical. As várias combinações texturais e tímbricas, por si, inserem-se numa estrutura maior (que tangencia a forma), pois materializam, em um contraponto de última instância, dois tipos de música que se interpolam, se alternam, se superpõem: um é governado pelo seu Processo Composicional de Desfragmentação, aplicado aqui a elementos da música e dos instrumentos da Capoeira (berimbau e caxixi); outro é determinado por um processo que ele denomina de Técnica de Palimpsesto (ambos os procedimentos estão documentados na Internet). Indo além, várias partes desses diversos níveis estruturais são estabelecidas de forma a criar círculos e ciclos aurais simultâneos, originando o nome da peça. É interessante também observar que a organização das alturas em toda a obra é realizada a partir de um único conjunto de cinco classes de notas, desdobrado de acordo com uma versão flexibilizada de sua Serialização Motívica (também documentada na Internet).
Em Nocturnales II, para orquestra de câmara, o stratum contínuo das cordas forma uma espécie de cantus firmus tímbrístico e textural contra o qual pontuam camadas bem estratificadas de tipos diferenciados de música. A peça representa uma rara incursão do compositor no campo da intertextualidade. Uma das camadas é baseada na citação que Olivier Messiaen (1908-1992) faz do canto do uirapuru (na lenda, um jovem índio transformado em pássaro que canta à noite para sua amada dormir), no terceiro movimento do seu Et Exspecto Resurrectionem Mortuorum. Em Nocturnales II, a citação, inicialmente desmembrada e irreconhecível, é gradualmente montada para ser desmembrada novamente pelos naipes das madeiras e dos metais. A estrutura da peça também evoca The Unanswered Question, de Charles Ives (1874-1954). A intertextualidade em Nocturnales II passa ainda por um autofagismo, no sentido de que a peça é a versão para orquestra de câmara de um dos movimentos da obra Uiramiri – Quatro Cenas Orquestrais, para orquestra sinfônica, com a qual Eli-Eri recebeu o prêmio “Bolsa de Estímulo à Criação Artística”, da Fundação Nacional de Artes - FUNARTE, em 2008.
Na visão do compositor, Recordabilis Bach, para sexteto de saxofones, além da homenagem a Johann Sebastian Bach, representa “uma evocação à paz, nestes atuais tempos de conflitos e conturbações”. A obra emprega como tema o cântico Du Friedefürst, Herr Jesu Christ (Jesus Cristo, Príncipe da Paz), de Bartholomaeus Gesius (1560-1613), usado por J. S. Bach para compor sua Cantata BWV 116. As primeiras quatro partes da peçautilizam, de forma explícita, princípios da linguagem e do contraponto do compositor alemão. Na primeira parte, a melodia de Gesius é re-harmonizada e apresentada na forma de um Coral a quatro vozes. As três seguintes são variações em forma de Coral de Cantus Firmus (segunda e quarta partes) e Coral Ornamentado (terceira parte). A quinta parte é uma Fuga Tripla, na qual a linguagem de Bach e sua mensagem de paz (de forma simbólica) são desafiadas. Evocando as partes anteriores da peça, os episódios da Fuga criam um conflito temático-harmônico que é vencido, no final, pelo Coral inicial e seu tema de paz.
Multiversos I, para quinteto de metais e percussão (dois pratos suspensos tocados com arco de contrabaixo e baquetas), desdobra-se através de um monobloco sonoro (representado por sete classes de notas fixas) que é sutilmente transformado à medida que avança temporalmente e sofre interferências de elementos externos (timbrísticos, microtonais, temporais, espectrais, etc.), numa metáfora musical às teorias atuais sobre a existência de universos paralelos, possivelmente interconectados entre si.
Nouer III, para vibrafone e piano, faz parte de uma série de bagatelas para piano e distintos instrumentos solistas, na qual, de peça para peça, a parte do piano se mantém a mesma, e a do outro instrumento é reescrita. Novamente, aqui há a ideia de polifonia entre diferentes tipos de música. A música do piano evolui de forma contínua, de acordo com o que diz o compositor: “A parte do piano é submetida a uma transformação em que a hierarquia dos parâmetros musicais muda ao mesmo tempo em que mudam as unidades do discurso. Ela expande-se a partir de eventos musicais que representam o parâmetro harmônico, passa por estágios que tipificam o parâmetro da textura, até ser expressa por configurações lineares que denotam o parâmetro da melodia. Uma vez que um novo estágio de escrita é completamente alcançado, elementos selecionados dele começam a se desenvolver, a se separar de sua estrutura básica, para formar um novo conteúdo (que é carregado por um novo parâmetro).” O vibrafone intersecta tal fluxo com cinco trechos estáticos que também representam diferentes parâmetros, mas desconexos entre si, criando o ambiente contrapontístico peculiar da peça.
Variações, para violino, violoncelo e piano, é uma obra originalmente escrita para uma formação que inclui clarinete em vez de violino. A atual versão foi escrita a pedido do ArtesanTrio.
Nesta gravação, vale ressaltar o excelente trabalho de interpretação dos grupos instrumentais da UFPB. Fechando o círculo entre compositor e intérprete, tal trabalho tem propiciado o florescimento de uma nova música no Nordeste brasileiro.
Marcílio Onofre
Coordenador do COMPOMUS/UFPB
Janeiro de 2010
GRUPO SONANTIS
Dirigido por Eli-Eri Moura, SONANTIS é o grupo de música contemporânea do COMPOMUS/UFPB. Em 2006, gravou o CD Eli-Eri Moura – Música de Câmara, patrocinado pelo Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos, do Governo do Estado da Paraíba. Seus integrantes na presente gravação são:
Flauta/Piccolo: Gustavo Paco de Gea
Oboé: Roberto Carlos Di Leo
Clarinete: José de Arimateia
Fagote: Heleno Feitosa “Costinha”
Trompa: Cisneiro Andrade
Trompete: Ayrton Benck
Trombone: Radegundis Feitosa |
Percussão: Germanna Cunha, Dennis Bulhões
Piano: José Henrique Martins
Violinos: André Araújo, Ronedilk Dantas, Sandra Cabral de Aquino
Viola: Luiz Carlos da Silva Júnior
Violoncelo: Felipe Avellar de Aquino
Contrabaixo: Luciano Carneiro |
JPSAX
Formado em 1994, o JPSax é um dos grupos instrumentais mais ativos do Departamento de Música da UFPB. Seu repertório é dedicado, em especial, à música brasileira. O grupo participou de inúmeros concertos, shows e festivais por todo o País e no exterior, incluindo o Festival International de Musique Universitaire – FIMU, França. Em 1998, gravou o primeiro CD, intitulado JPSax Quarteto. O segundo trabalho foi lançado em 2001, com o nome Brasil: um Século de Saxofone, no qual presta homenagem a importantes saxofonistas brasileiros. O terceiro CD foi o JPSax Solto na Buraqueira, lançado em 2007, com obras autorais e de compositores como Sivuca, Moacir Santos e Chico César. O JPSax é formado por João Leite (sax soprano), José de Arimateia (sax alto), Rivaldo Dias (sax tenor) e Heleno Feitosa “Costinha” (sax barítono). Participaram nesta gravação os músicos convidados Marcelo Vilor (sax alto) e Luiz Carlos Júnior (sax tenor).
GRUPO BRASSIL
BRASSIL (trocadilho do inglês BRASS, instrumento de metal, com o nome BRASIL) é o grupo de metais, acrescido de percussão, do Departamento de Música da UFPB. O Grupo realizou concertos em todas as regiões brasileiras e em diversas cidades da América do Sul, da América do Norte e da Europa. Fez diversas gravações para programas radiofônicos, incluindo alguns da BBC de Londres e da WGBH de Boston, sempre enfatizando a divulgação da música brasileira. O BRASSIL tem cinco CDs gravados, dois dos quais na Inglaterra. Seu quinto CD, BRASSIL Interpreta Compositores da Paraíba, lançado em 2008 com o patrocínio da Petrobras, representa um trabalho único na área de música contemporânea no Nordeste brasileiro, com o registro de composições inéditas de doze compositores do COMPOMUS/UFPB. Na presente gravação, o Grupo é integrado pelos professores da UFPB Ayrton Benck (trompete I), Gláucio Xavier (trompete II), Radegundis Feitosa (trombone) e Valmir Vieira (tuba), e pelos músicos convidados Radegundis Tavares (trompa) e Dennis Bulhões (percussão).
ArtesanTrio
Integrado por docentes do Departamento de Música da UFPB, o ArtesanTrio tem como propósito ampliar o repertório para violino, violoncelo e piano, estreando obras inéditas. A violinista Sandra Cabral de Aquino é Mestre pela Eastman School of Music (EUA), com especialização na Louisiana State University (EUA). O violoncelista Felipe Avellar de Aquino fez Doutorado na Eastman School of Music (EUA), tem realizado concertos e masterclasses no Brasil, EUA e Canadá, e publicado artigos na revista The Strad (Inglaterra). O pianista José Henrique Martins é Doutor pela Boston University e tem desenvolvido intensa atividade em recitais solo e de música de câmara, apresentando-se em importantes cidades do Brasil, Estados Unidos e Europa.
AGRADECIMENTOS
À PETROBRAS, pelo patrocínio; à Universidade Federal da Paraíba, em particular ao COMPOMUS e ao DeMus, e à FUNESC (João Pessoa), pelo generoso apoio.
DOWNLOAD GRÁTIS
O material deste CD (gravações e texto) e as partituras (com partes separadas) das peças gravadas estão disponíveis para download gratuito no site do Laboratório de Composição Musical da UFPB – COMPOMUS: <http://www.compomus.mus.br>.
FICHA TÉCNICA
Produção e Direção Musical
Eli-Eri Moura
Gravação
SG Studio Digital (João Pessoa - PB) [Circumversus, Nocturnales II, Recordabilis Bach, Nouer III];
Estúdio Peixe-Boi (João Pessoa - PB) [Multiversos I, Variações]
Técnicos de Gravação
Adriano Ismael, Patrick Onofre, Sérgio Gallo [Circumversus, Nocturnales II, Recordabilis Bach, Nouer III];
Marcelo Macedo, Paulinho Tazz [Multiversos I, Variações]
Mixagem e Masterização
Marcelo Macedo (Estúdio Peixe-Boi)
Ilustração da Capa e Projeto Gráfico
Alexei Solha
Produção do Encarte
Pindorama Studio (João Pessoa - PB)
Revisão de Texto
Wilson Guerreiro
As peças Nocturnales II e Nouer III foram gravadas no Auditório do Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba; Recordabilis Bach foi gravada no SG Studio Digital; Circumsonantis, Multiversos I e Variações foram gravadas na Sala Banguê, da Fundação Espaço Cultural – FUNESC, João Pessoa - PB.

INSTRUMENTAL MUSIC BY ELI-ERI MOURA
By sponsoring this CD, Programa Petrobras Cultural unveils some of the instrumental music by one of the most active composers in Northeast Brazil. Not only has Eli-Eri Moura been deeply committed to contemporary concert music (as a composer and a researcher), but also to incidental music (as an author of sound tracks for theater plays, films and documentaries). As a Professor at Federal University of Paraíba, Brazil, he founded COMPOMUS (Laboratory of Musical Composition), in 2003, and established the area of musical composition at undergraduate and graduate levels, supporting the training of numerous young composers in the region. Eli-Eri studied in Brazil with José Alberto Kaplan and Mário Ficarelli, and in Canada with Alcides Lanza, John Rea and Brian Cherney, at McGill University, where he obtained the degrees of Master and Doctor of Music (Composition). This CD is panoramic of his production: besides four recent pieces, it includes one from 1999 and another from 1984. In addition, the pieces reveal how large is his cope with the musical language. In the oldest piece, Variações (1984), we find a composer at ease in using the tonal system, in polytonal and jazzy approaches, while in the pieces Circumsonantis (1999), Nocturnales II (2009), Multiversos I (2009) and Nouer III (2008) we have a composer fully involved with his particular compositional systems. Transcending any tonal-nontonal-atonal discussion, these systems reflect a varied palette of ideas, materials, techniques and procedures characteristic of the composer. Nonetheless, Eli-Eri does not feel intimidated to bring again tonality (common in his sound tracks) to the concert hall, once it serves to the idea behind the music. As he says, “in my music, when they are not the same thing, language generally is at service of the idea.” An example of such an approach is the piece Recordabilis Bach (2009), in which he renders homage to one of his favorite composers. Such reverence is revealing of the feature that, independently of the language or the harmonic frame, distinguishes Eli-Eri oeuvre in general: his attachment to counterpoint and polyphony. While in Recordabilis Bach the counterpointal work is properly linear and unidimensional, in other pieces polyphony assumes a multidimensional character, allowing multiple and alternate insights.
The first piece of the CD, Circumsonantis, for string quartet, presents several polyphonic layers in its structure. In an internal plane, there is the intricate counterpoint between the individual lines of the four instruments. Combinations of these lines form timbral-textural bundles that interplay in several ways, creating to the listener, perhaps, the most evident agents of the musical discourse. The several textural and timbral combinations themselves are within a bigger structure (close to form) as they materialize, ultimately, two kinds of music that get interpolated, alternated, superposed: one is governed by his Compositional Process of Defragmentation, applied here to elements from the music and instruments of Capoeira — the berimbau (musical bow) and caxixi (basket rattle) [Capoeira is an Afro-Brazilian dance-like fighting game, developed by the slaves in the sugar cane plantations of Bahia, during the 19th Century]; the other is determined by a process he calls Palimpsest Technique (both procedures are documented on the Internet). Beyond that, various parts of these diverse structural levels are established in order to create simultaneous aural circles and cycles, originating the title of the piece. It is also interesting to note that the pitch organization in the whole work is based on just one set of five pitch classes, unfolded according to a flexible version of his Motivic Serialization (also documented on the Internet).
In Nocturnales II, for chamber orchestra, the continuous stratum of the strings forms a kind of timbral and textural cantus firmus against which stratified layers of different types of music are punctuated. The piece represents a rare incursion of the composer in the realm of intertextuality. One of the layers is based on the citation made by Olivier Messiaen (1908-1992) of the uirapuru chant in the third movement of his Et Exspecto Resurrectionem Mortuorum [in the Brazilian legend, uirapuru is an indigenous boy transformed in a bird that sings at night to his beloved]. In Nocturnales II, the citation, initially dismembered and unrecognizable, is gradually assembled and then dismembered again by the woodwinds and brass. The structure of the piece also evokes The Unanswered Question of Charles Ives (1874-1954). Intertextuality still goes beyond as autophagy, considering that Nocturnales II is a version to chamber orchestra from one of the movements of Uiramiri – Quatro Cenas Orquestrais, for symphony orchestra, with which Eli-Eri received the prize “Bolsa de Estímulo à Criação Artística”, from Fundação Nacional de Artes - FUNARTE, Brazil, in 2008.
Besides homage to J. S. Bach, in the composer’s view, Recordabilis Bach,for saxophone sextet, represents “an invocation to peace, in our present days of conflicts and commotion.” The work employs as theme the chorale Du Friedefürst, Herr Jesu Christ (Thou Prince of Peace, Lord Jesus Christ) by Bartholomaeus Gesius (1560-1613), taken by Bach to compose his Cantata BWV 116. The first four parts of Recordabilis Bach use, in an explicit way, principles of the counterpoint and the language of the German composer. In the first part, Gesius melody is re-harmonized and presented in a four-voice Chorale. The subsequent three are variations in the form of Cantus Firmus Chorale (second and fourth parts) and Ornamented Chorale (third part). The fifth part is a Triple Fugue, in which Bach’s language and peace message (symbolically speaking) are defied. Evoking the former parts, the Fugue episodes create a thematic-harmonic conflict won, at the end, by the initial Chorale and its peace theme.
Multiversos I, for brass quintet and percussion (two suspended cymbals played with double bass bow and mallets), unfolds by means of a sound block (built with seven fixed pitch-classes) that is subtly transformed as it both moves temporally forward and suffers interference from external elements (timbristic, microtonal, temporal, spectral, etc.), in a musical metaphor for the current theories about the existence of interconnected parallel universes.
Nouer III,for vibraphone and piano, is part of a series of bagatelles for piano and different soloist instruments, in which, from piece to piece, the piano part remains the same and the part of the second instrument is rewritten. Again, here there is the idea of polyphony between different types of music. The piano music evolves in a continuous way, according to the following description given by the composer: “The piano part is submitted to a transformation in which the hierarchy of the musical parameters changes along with the units of the musical discourse. It expands from musical events that represent the harmonic parameter, passes through varying stages that typify the parameter of texture, and it is finally expressed by linear figurations denoting the parameter of melody. Once a new stage is completely reached, selected elements from it start growing up, getting detached from their basic structure to form a new content (which is carried out by a new parameter).” The vibraphone intersects such a flux with five static passages that also represent different parameters, but disconnected among themselves, creating the peculiar polyphonic ambient of the piece.
Variações, for violin, violoncello and piano, is a piece originally written for a setup that includes clarinet instead of violin. The version in this CD was made at the request of the ArtesanTrio.
Concerning the recording of the pieces, it is important to call attention to the excellent performances by the four UFPB instrumental groups in this CD. The successful mutual work between composer and performers has favored the flourishing of a new music in Northeast Brazil.
Marcílio Onofre
Coordinator of COMPOMUS/UFPB
January 2010
GRUPO SONANTIS
Directed by Eli-Eri Moura, SONANTIS is the Contemporary Music Group of COMPOMUS/UFPB. In 2006 it launched the CD Eli-Eri Moura – Chamber Music, under the auspices of Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos, from the Paraíba State Government. The performers in this recording are:
Flute/Piccolo: Gustavo Paco de Gea
Oboe: Roberto Carlos Di Leo
Clarinet: José de Arimateia
Bassoon: Heleno Feitosa “Costinha”
French Horn: Cisneiro Andrade |
Trumpet: Ayrton Benck
Trombone: Radegundis Feitosa
Percussion: Germanna Cunha, Dennis Bulhões
Piano: José Henrique Martins |
Violins: André Araújo, Ronedilk Dantas, Sandra Cabral de Aquino
Viola: Luiz Carlos da Silva Júnior
Violoncello: Felipe Avellar de Aquino
Double Bass: Luciano Carneiro |
JPSAX
Formed in 1994, JPSax is one of the most active instrumental groups of UFPB Department of Music. Its repertoire is devoted, in special, to Brazilian music. The group participated in innumerable concerts, shows and festivals in Brazil and abroad, including the Festival International de Musique Universitaire – FIMU, France. In 1998 JPSax recorded its first CD, named JPSax Quarteto. The second was launched in 2001 with the title Brasil: um Século de Saxofone [Brazil: a Century of Saxophone], in which the group renders homage to Brazilian saxophonists. The third was JPSax Solto na Buraqueira [JPSax on loose] and included authorial pieces as well as songs by Sivuca, Moacir Santos and Chico César. The performers are: João Leite (soprano sax), José de Arimateia (alto sax), Rivaldo Dias (tenor sax) and Heleno Feitosa “Costinha” (baritone sax). Marcelo Vilor (alto sax) and Luiz Carlos Júnior (tenor sax) participated as guest musicians.
GRUPO BRASSIL
BRASSIL [a play on the words BRASS and BRASIL (as in Portuguese)] is the brass group (with percussion) of the Federal University of Paraíba. BRASSIL performed in all Brazilian regions and in several cities of South America, North America and Europe. It recorded radio programs for the BBC (London) and the WGBH (Boston) entirely devoted to Brazilian music. The curriculum of BRASSIL includes the recording of five CDs, two of them in England. The fifth, BRASSIL Interpreta Compositores da Paraíba [BRASSIL Plays Music by Composers from Paraíba], launched in 2008 and sponsored by Programa Petrobras Cultural, represents a unique work in the contemporary music scene of Northeast Brazil, as it includes new pieces by twelve composers from COMPOMUS/UFPB, written specially for the Group. Ayrton Benck (trumpet I), Gláucio Xavier (trumpet II), Radegundis Feitosa (trombone) and Valmir Vieira (tuba), all of them professors in the UFPB Music Department, and the invited musicians Radegundis Tavares (French horn) and Dennis Bulhões (percussion) play in the present recording.
ArtesanTrio
Formed by professors of the Federal University of Paraíba, the ArtesanTrio has as purpose to broaden the repertoire for violin, violoncello and piano, premiering new works. The violinist Sandra Cabral de Aquino obtained a specialization degree from Louisiana State University (USA), and a Master of Music degree from the Eastman School of Music (USA). The cellist Felipe Avellar de Aquino earned his Doctoral degree from the Eastman School of Music, where he was sponsored by a grant from the Brazilian Government. He has given concerts and masterclasses in Brazil, USA and Canada, and has contributed to The Strad (England). The pianist José Henrique Martins earned his Doctoral degree from Boston University (USA). He has developed intense activity as soloist and chamber music player, performing in major cities of Brazil, USA and Europe.
THANKS
To PETROBRAS, for the financial assistance; to Federal University of Paraíba, in particular COMPOMUS and DeMus, and FUNESC (João Pessoa - PB, Brazil), for their generous support.
FREE DOWNLOAD
The materials of this CD (recordings and text) and the musical scores (including separate parts) are available for free download in the website of COMPOMUS - Laboratório de Composição Musical (Laboratory of Musical Composition of the Federal University of Paraíba, Brazil): <http://www.compomus.mus.br>.
CREDITS
Production and Musical Direction
Eli-Eri Moura
Recording
SG Studio Digital (João Pessoa - PB) [Circumversus, Nocturnales II, Recordabilis Bach, Nouer III];
Estúdio Peixe-Boi (João Pessoa - PB) [Multiversos I, Variações]
Recording Technicians
Adriano Ismael, Patrick Onofre, Sérgio Gallo [Circumversus, Nocturnales II, Recordabilis Bach, Nouer III];
Marcelo Macedo, Paulinho Tazz [Multiversos I, Variações]
Mixing and Mastering
Marcelo Macedo (Estúdio Peixe-Boi)
Cover Illustration and Art Design
Alexei Solha
CD Booklet Production
Pindorama Studio (João Pessoa – PB)
Text Revision
Wilson Guerreiro
The pieces Nocturnales II and Nouer III were recorded in the Concert Hall of the Music Department of the Federal University of Paraíba; Recordabilis Bach was recorded in the SG Digital Studio; Circumsonantis, Multiversos I and Variações were recorded in the Banguê Concert Hall (Fundação Espaço Cultural – FUNESC, João Pessoa, Brazil). |